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Post-it para um jovem escritor

Dezembro 6, 2009

[i]Escrever é para a vida.[/i]

É o que alguém diria em um espaço limitado, e a confissão banal e melodramática sai assim, em uma escrita automotiva, sem passar pelo conhecimento do nosso “freio intelectual”. Há. Os meninos, que se acham grande demais para continuar brincando com a sombra de seus própios sonhos…
Escrevo apenas por não conhecer outra força maior, me impedindo do desatino de procurar teus olhos a todo instante. Nem o cemitério mais pobre está a salvo de parcas palavras humanas na hora da morte…Escrever. Assim, mal confessionado, mal escrito e mal dito…

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Before the morning comes

Novembro 15, 2009

Em algum lugar, antes do amanhecer, há um anjo sentado sobre as linhas de um trem. Ele observa as estrelas no céu de Viena e imagina seu brilho pranteando as lápides do Friednhof der Namenlosen. As almas que permanecem, se perdem a bailar sobre a grama ouvindo as canções de uma velha quiromante. Não há lugar para onde se possa fugir, não há paraíso, Deus é espaço entre corpos que nem mesmo permanecem no tempo, nada há. Apenas um amanhecer no por vir. Tudo se resume ao pôr do sol onde uma velha beija um garotinho.

As asas do anjo se abrem em um milhão de cravos.

Enquanto em Paris ou nova York um poeta bêbado come um hambúrguer e um Milk shake.

Uma coisa nada tem a ver com outra. Mas tudo estava pronto, bastou adicionar umas palavras.

- Impressões

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O pássaro.

Setembro 26, 2009

Hoje, lembrei dos pássaros que cativei ao longo da vida. Ao nascer, ganhei uma gaiola. Ela era bela, simples e forte. Com o tempo, foi crescendo junto a mim, não era uma gaiola comum. Fora construída quando minha poesia sequer pensava existir. Por anos mantive tal cela vazia, mas então percebi a beleza dos pássaros e sua liberdade. Quanto mais livres, mais belos me pareceram. Sempre busquei vê-los livres e assim, amá-los, no entanto por amar, acabei por tirar-lhes a liberdade. Aos poucos me cativavam, enquanto os mantinha cativos. Naquela gaiola, muitos perderam o brilho que traziam, devido aos vôos que não mais realizavam. Vi, a cada dia, o viço em suas plumas diminuir, o canto em seus corpos se acabar e a vida fugir. Então, invariavelmente, abria-lhes a gaiola e os via partir. Sempre partiam mais escuros do que chegavam, uns pela tristeza que lhes acometia ao ver minha solidão; outros, por não suportarem a idéia das grades. Somente há a certeza de que essas grades permaneceram trancadas por um longo tempo. Foram muitos os pássaros que assentaram-se em minha janela, sem jamais receberem qualquer menção de um olhar ou, quando vistos, vistos com desprezo e, às vezes, asco. No entanto, tudo ocorre como deve ser. Agora, há um pássaro em minha janela, ele está ali já há algum tempo. Parece que algo aqui lhe agrada, não sei ao certo o que é. Tento ignorá-lo mas, inutilmente, permaneço imóvel. A gaiola a minha frente permanece fechada, não penso em abri-la. Não é mais preciso, de algum modo tal pássaro me mantém cativo.

Talvez, finalmente, tenha ganho as asas que desejei.

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Série Curtas

Agosto 14, 2009

Julieta sempre foi
minha prostituta predileta.
Enquanto esperava por romeu,
dava aos outros tudo que era seu.

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Se doer, deixe…

Agosto 8, 2009

Anestesiada, e meus sentidos são puramente obsoletos.
Parece-me agora que cortam até a dor do poeta, o pobre Werther não terá lugar nesse nosso novo mundo, cheio de inclusões e falsos sorrisos. Meu coração se recusa bater, pois recusam o seu direito primordial: o de apanhar!

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Hoje…

Agosto 3, 2009

Apenas o silêncio que experimento na companhia dessa pequena musa tem feito sentido.

Aquela chama apagou-se, em seu lugar uma mais viva.

03/08/09

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Algum tempo atrás…

Agosto 3, 2009

A noite em tua boca
a boca em tua noite
guardo teu fogo
Sob todas as coisas
Sob todas as horas
Quando parece enfraquecer
dou lhe minha carne
queima pele, gordura
queima músculo, osso
mas esfria a alma
ainda é fogo de palha.

25/06/09

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Sabe, Ruiva?

Julho 27, 2009

hair1Alguns dias atrás, havia cabelo em meus olhos e, por estar sem meus caleidoscópios, apenas vi a névoa dançar sobre teus sonhos. Foi belo, Ruiva. Queria você alí onde a euforia estava, sobre meu peito, entre mil tambores.

Pensei em um “faz-de-conta” que tudo está melhor, “faz-de-conta” que teu céu é mais azul e, assim, dance eternamente entre os diamantes que o firmamento esconde. Solte tua voz com as árias de uma divindade secular, rasgue tua garganta como uma negra diva, apenas suspire por um amigo necessitado. A friend in need is a friend in deed… You are a needing friend.

Entre os cabelos que vi, vi você. Construí teu mundo em uns segundos, talvez por silgLaS De criação. Foi louco, Ruiva, muito louco.

But where do I go? Follow the river? Where do I go? Follow the stars?

Talvez só precisemos de estradas pavimentadas de tijolos amarelo-neon.

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A estrada da Qui[me]ra

Julho 27, 2009

E no frio nasce  a quimera que, adormecida, retumba em meu peito. Nos dias de ver o mundo, guardo me no coração dos meninos que fui. Permaneço sentado no meio fio de memórias desgarradas e, apenas, observo os sons da mundo. Engulo os soluços e as lágrimas que secam sobre meus olhos. Não há na vida solidão maior que essa que sinto, pois minhas memórias estão sozinhas. Sou um velho guri que espera a geada chegar sobre os prados, querendo ver um tigre sobre a neve. Mas o fino cristal do inverno mata até mesmo os morangos nesses campos. Dos caminhos que posso seguir, dos caminhos que já segui, dos caminhos que seguirei… guardo tudo que não havia, o que há não me pertence. Sou um retalho de tempo esvoaçante, soprando junto aos minuano, cinzento junto as nuvens, gelado feito a chuva, agradecido junto a terra. Sou quimera de gregas filosofias, negras histórias, índias heranças, lusas sodades e cascos gaúchos. O amálgama que sou, não é mais do que serei. “Não esqueças de mim!”, dizia a amante. Não esquecer de nós, repito a “mins” mesmo. Só o tempo ouve minha voz, a estrada é vazia assim como ele – flores quebradas pelo gelo.

Quem te ama? Todos os eus. No entanto, também são eles a me odiar. Várias criaturas com uma cabeça. Quem será Belerofonte para mim? Ou ao menos quem me dará um mapa?

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Ressaca

Julho 11, 2009

Se queres saber, me causas ressaca. Bebo tanto de tua boca  que meu corpo rejeita todo teu ser e grita silencioso em minha cabeça: “Fique longe!”. Tento, no entanto, não é tão simples quando és capaz de prender me entre tuas pernas, enquanto estraçalha boca e língua entre teus dentes. Tornei-me adicto de teus sabores: doces gritos, amargos sussuros e ácidos suspiros. Tudo que faço é querer mais, um pouco mais, um porre a mais. Desejo apenas meus sentidos embriagados pelo teu corpo, minha cabeça sabe – “não devo”, mas instintos e corpo dizem: afoga te. Dois votos contra um.

Se te busco é que te quero plena, plenamente nua. Plenamente minha.

11/06