
Uma carta já perdida no tempo…
janeiro 22, 2010Saudações, minha cara. Como vai?
Perdão se não a tenho procurado. Os dias têm sido muito desgastantes e não há muito que ser dito ultimamente. Fico feliz em saber que gostou de meus textos, eles não são mais que meus sentimentos. Tento ser apenas verdadeiro. Eu teria mil palavras para lhe dar se a mim fosse permitido usar as palavras de tal modo. Para você apenas entrego os sentimentos mais singelos que tenho: os que não estão carregados de enxofre e que por vezes parecem sumir sob uma vasta cortina de dor e angústia. Para ti, somente os bons sentimentos desse pobre tolo. São poucos eu sei, mas são tudo que tenho. Não me importaria em entregá-los de bom grado, mas são únicos. Sendo assim, compartilho. Compartilho um leve sorriso, quase escondido entre o cenho fechado. Compartilho uma leve carícia que se aninha nas mãos que afagam tão fundo quanto à alma. Compartilho o simples desejo de fechar os olhos e saber que não estou sozinho. Compartilho essa ilusão. É pouco, eu sei.
Não saberia definir essa sensação de estar fechado, vazio e perdido. No entanto, próximo a um coração amigo, tudo se completa. Assim me sinto, às vezes. Mas é tudo tão raro nesses dias de hoje, tenho até medo de ser feliz, não saberia como agir. Esqueço, porém que parte de minha felicidade já existe, em cada encontro, em cada palavra amiga, em cada sorriso, em cada delírio. Bem, sou um tolo e sei. Só um tolo encontra alegria em tão singelas epifanias. Bendita seja minha tolice, então. Perco minha sanidade em cada palavra dita de modo sincero, mas somente assim elas podem ser proferidas.
Minhas palavras são meu alívio em cada dia e a cada dia mais. Entrego minha alma em cada palavra e cada palavra entrego sabendo que jamais voltará. Isso me faz bem. Não sei o quê dizer ou como dizer. Não domino aquilo que digo, apenas o faço. Se minhas palavras te fazem bem, é o meu maior desejo. Esteja bem minha cara amiga,
Antônio dos Anjos.