Posts de maio \19\UTC 2010

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Pesares

maio 19, 2010

Coisas são como sinais
Tempos claramente irreais
Presenças irrestritas
Outrora tão dignas
Como bailarinas
Dançando em eterna
Cintilante Sintonia
Nem pregando uma vida
Ou mesmo iluminando
Pensamentos perdidos
Talvez a beleza tão tardia
Arredia a planos sensatos
Aqueles passos tão marcados
Que nem se notam
Os anos passando
Palavras sendo ditas
Na mais pura natureza
Realmente sem sinas
Senão um claro prisma
Ligado aquele alvorecer
Sentado com presságios
Tendo seus próprios fantasmas
Presos no eterno passado
Onde não se retorna
Pelo menos não desejado
Será repentina aquela dor
Ou mais um mero torpor
Nada lhe é mais caro
Que o provar amargo
Um abraço desleixado
De olhares apagados
Numa silhueta vazia
Presa naquele dia
Sereno e tão pleno
Aonde eu sempre morria.

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As ervas daninhas…

maio 3, 2010

E rego com sangue meu jardim de amores. Por muito tempo ausentei-me e nesses séculos algo cresceu aqui sem que eu percebesse. Ervas malignas, ervas daninhas. Plantas amaldiçoadas: nem belas, nem cheirosas; apenas daninhas. Lentamente suas vinhas tomaram o caule de minha roseira, com carinhos sufocantes enforcam lhe as pétalas. Minha roseira parece sofrer. Sei do que ela precisa, mas não há como solucionar…
Tais ervas destilam seu veneno na corrente leitosa de seiva da minha roseira. Como o sangue envenenado, os líquidos que sustentam minha planta começam a escassear. Ela encontra-se envolta em medo e lágrimas, sofre calada com o fel que lhe atinge. Pudera ela gritar, pudera eu ser ouvido. Minhas palavras ecoam na surda flor que jaz ali. Meus gritos de desespero não lhe afetam, ela não mais vê a mão do jardineiro que a cultivou. Ela apenas ouve o lento fluir da morte que lhe atinge.
O amor que tenho cultivado em meu peito seria o único alimento a lhe salvar, no entanto ervas daninhas que há muito encubaram suas sementes surgiram. Ervas que surgiram muito antes de minha chegada, na terra em que minha flor decidiu ser plantada. Bem alimentada, minha planta estava alegre, mas havia algo que eu não sabia. Sobre o cálido corpo daquela rosa, plantas malignas habitavam. Elas devoram todo o amor que depositara, todo o amor que nutrira minha flor.
Sou agora, um pobre jardineiro que vê a flor mais bela definhar, sem nada poder fazer. Sem nada saber fazer. Apenas observo o sibilar das vinhas da maldade sobre o belo corpo de minha roseira. Com seus tentáculos imaginados, essa hera se apossa de minha cálida rosa. Minha rosa perde a cor a cada dia e cada dia mais definha. Regarei a com meu sangue, quem sabe assim meu coração seja ouvido e tais ervas morram finalmente.

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